A Modernidade e o Problema do Conhecimento |
| Escrito por Joviane Moura | |||||
Página 1 de 3 A história dos estudos psicológicos está entrelaçada à história da modernidade e às suas vicissitudes. São múltiplas as relações das ‘psicologias’ com os movimentos de expansão e, principalmente de retraimento do espaço das virtudes morais, pois foi exatamente deste duplo movimento que nasceu o ‘psicológico’. (Figueiredo, 2002) A partir do século XVII o exame da interioridade tem como meta o acesso à verdade e a fuga das ilusões, alternando-se os filósofos na atribuição da razão (os racionalistas) ou dos sentidos (os empiristas) como via privilegiada do conhecimento. Segundo Ferreira (2005) a questão do conhecimento se impôs no cenário moderno a partir das incertezas presentes no século XVI em consequência do declínio do modo de vida feudal. Para isso contribuíram fatores como a retomada da vida urbana, o incremento do comércio como forma de produção de riqueza, a constituição dos Estados Modernos, as Grandes Navegações e a descoberta de novos povos, a invenção da imprensa, a Reforma (e a contra-reforma) religiosa e, por fim, o surgimento da física matemática.
Ferreira (2005) diz que é possível falar de racionalismo em três sentidos: psicológico, advogando a superioridade do pensamento sobre os estados afetivos; metafísico, afirmando a inteligibilidade da realidade; e gnosiológico, referente a teoria do conhecimento, em que a fonte dos saberes seria oriunda da razão, e não dos sentidos. O empirismo em suas diversas manifestações comporta um componente psicológico, a suposição de que todo o conhecimento provém dos sentidos; e um gnosiológico, a afirmação de que só o conhecimento empírico é válido. Estes elementos estão presentes no empirismo moderno de George Berkeley, John Locke e David Hume, constituindo a principal corrente antagônica ao racionalismo gnosiológico. Figueiredo e Santi (2004) falam que tanto no racionalismo como no empirismo tratava-se de estabelecer novas e mais seguras bases para as crenças e para as ações humanas, e procuravam-se essas bases no âmbito das experiências subjetivas. |


